
"... com o objectivo manifesto de reunir e representar estes profissionais, bem como promover o seu desenvolvimento técnico e científico."
A Medicina Nuclear é uma ferramenta de extrema utilidade em imagiologia pré-clinica?
A SPECT possui valores de sensibilidade e especificidade superiores à TAC e na maioria dos casos à MRI, na detecção de alterações precoces a nível da perfusão cerebral.

Imagiologia Pré-clínica
A Imagiologia Molecular é geralmente definida como a caracterização e medição in vivo dos processos biológicos ao nível celular ou molecular. Comparada à Imagiologia Diagnóstica convencional, a Imagiologia Molecular analisa as anomalias moleculares específicas que causam a doença, ao invés de disponibilizar imagens da condição resultante. Com o recurso à Imagiologia Molecular, será possível um diagnóstico mais precoce da doença, visto que as alterações a nível molecular precedem sempre qualquer alteração na estrutura anatómica.
A Medicina Nuclear abrange 2 modalidades de imagem: SPECT (tomography single-photon emission computed tomography) e PET (positron emission tomography). Estas duas modalidades estiveram no pelotão da frente da medicina molecular por várias décadas. O seu uso foi restringido para o uso clínico há cerca de 20 anos atrás, devido à baixa resolução espacial dos sistemas de aquisição, que traziam graves limitações nos estudos em modelos animais.
Há cerca de uma década, diversos grupos procederam ao desenvolvimento de sistemas de aquisição capazes de resoluções abaixo do 1-2 mm, permitindo uma utilização eficaz em modelos animais. Os avanços nestas técnicas imagiológicas deveram-se tanto a melhorias na instrumentação como a nível de software de reconstrução.
O impacto das modalidades de imagem da Medicina Nuclear no pequeno-animal permitem a compreensão da base biológica da doença, expectando-se que esses avanços se traduzirão grandes benefícios à medicina clínica.
Em baixo estão imagens de diversos sistemas de aquisição: Da esquerda para a direita e de cima para baixo temos: MicroSPECT/CT; NanoSPECT;/CT; MicroPET; NanoPET/CT; SPECT/MRI.
A SPECT foi introduzida na década de 1970 com o intuito de medir o fluxo sanguíneo regional cerebral de uma forma não invasiva, recorrendo à utilização de radioisótopos. Actualmente os radioisótopos utilizados em estudos de perfusão cerebral são o 99mTc-HMPAO e o 99mTc-ECD, radiofármacos estes que irão ser abordados ao longo do trabalho tendo o primeiro especial atenção.
Nas isquemias cerebrais, existe um período de duração incerta (provavelmente horas), no qual uma intervenção terapêutica adequada pode reduzir a área cerebral enfartada e melhorar significativamente o prognóstico clínico.
A localização da área afectada e a avaliação da gravidade das alterações a nível da perfusão cerebral durante a fase aguda é da extrema importância, já que várias terapias são específicas para os diferentes tipos de enfarte cerebral, e pode-se observar a presença de tecido cerebral viável na zona em estudo.
Estudos SPECT podem detectar alterações a nível de perfusão e lesões isquémicas mais precocemente que a TAC, distinguindo e avaliando ainda o tipo e gravidade do enfarte ou isquemia, por outro lado, a correlação dos dois estudos permite a obtenção de dados clínicos significativos, já que as células nervosas podem estar integras anatomicamente e com a sua função alterada, neste caso num estado hipofuncional.
Em baixo estão listadas duas imagens, sendo a 1a correspondente a uma perfusão cerebral normal, enquanto que a 2a mostra áreas com ausência de perfusão.